DO DIÁRIO — O lançamento do livro Entre Memórias, Sonhos e Papéis reuniu autoridades, artistas, familiares e público na Casa de Cultura de Olímpia, sábado (7) à noite, em uma cerimônia marcada pela literatura, pela oralidade e pela valorização da memória como patrimônio cultural. A obra marca a estreia literária do artista olimpiense Marco de Andrade e reúne poemas e crônicas inspirados em vivências no campo, na estrada e na vida familiar.
A cerimônia contou com a presença da secretária municipal de Cultura e Defesa do Folclore, Priscila Foresti, representando o prefeito Geninho Zuliani, além do vereador Marcelo da Branca e empresário, e ex-vereador, José Elias Morais (Zé das Pedras). Artistas e produtores culturais também acompanharam o evento, além da cobertura exclusiva do Diário
Memória, infância e estrada
A obra parte de lembranças da infância em Olímpia e da trajetória profissional do autor, que trabalhou como soldador e percorreu diversas regiões do país sem se afastar da escrita. Trechos apresentados durante a cerimônia revelam esse eixo memorialista, com imagens do cotidiano rural, do convívio familiar e das descobertas da infância.
“Voltei à casa humilde que, com gestos firmes e caprichosos, minha mãe cuidava. O pai saía cedo ao trabalho nos campos e eu aprendendo as coisas da escola”, diz um dos textos do livro, ao revisitar o ambiente familiar e a formação do autor.
Em outro momento, a memória afetiva surge associada ao pai e aos domingos de futebol no interior: “Ansioso, os olhos brilhando, até ouvir: ‘vamos com o pai, Marco’. Assim saímos felizes, íamos à vila. Era dia de futebol”.
A estrada, experiência recorrente na vida profissional do autor, também se transforma em literatura, com imagens de chuva, serra e fé: “Seguir é preciso, parar não é lógica nem opção. Ali não é lugar de ficar, ali não se empodera o medo, ali é a vez da fé”.
Monólogo e literatura em cena
Um dos momentos centrais da noite foi o monólogo interpretado pelo artista olimpiense Pedro Malasart, com textos extraídos do livro. A apresentação deu voz às memórias do autor e aproximou literatura e teatro, com passagens que alternam nostalgia, perda, esperança e identidade.
Ao final do texto, a memória da infância reaparece como refúgio: “Busco minhas figuras de futebol, minha bola de capotão, as mãos do meu pai, o colo da mãe e seu macarrão vermelho. E saio brincando com minha saudade”.
A importância da família
Em sua fala, Marco de Andrade fez os agradecimentos protocolares e citou o percurso artístico do filho e as conexões criadas ao longo dos anos com o folclore e a cena cultural local, ressaltando a troca entre gerações e linguagens artísticas, chamando-o ao palco por “Pedrinho” para um abraço.
Como gesto simbólico, a esposa do autor, Gal, e o filho Heitor receberam flores, em reconhecimento ao apoio familiar durante o processo de criação do livro.
Ilustrações e homenagem familiar
O ilustrador da obra, João Carlos Oliveira da Rocha, participou da cerimônia e recebeu um exemplar do livro com dedicatória do autor. As ilustrações traduzem visualmente a sensibilidade dos textos e dialogam com o tom memorialista da obra.
Rochinha, como é conhecido, destacou o ambiente cultural da cidade e o papel da família em sua trajetória. “Olímpia é uma caixa de surpresa. A cada dia a gente descobre artista. É uma fábrica de artistas”, afirmou. Em tom pessoal, acrescentou: “A vida só me deu coisas boas. E agora ainda mais essa família, que é coisa maravilhosa”.
Representando a família, o comendador Benedito de Andrade destacou a trajetória do irmão caçula e o contraste entre o trabalho manual e a escrita. “Todos sabemos que suas mãos, calejadas pela marreta, se deram bem com a caneta”, afirmou. “Você conseguiu transformar essa força em leveza, dedicando suas mãos a fazer o bem pela humanidade”.
Autógrafos e encerramento
Após a cerimônia, o público participou da sessão de autógrafos e da venda de exemplares no hall do teatro, acompanhada de um café. O lançamento consolidou a obra como um registro afetivo e literário da experiência de um autor ligado à história e à identidade cultural de Olímpia.
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